segunda-feira, 8 de agosto de 2016

E agora?

Jantamos todos juntos, para irmos para as festas da terriola, como num tempo que parecia impossível de voltar. Risos, jogos. Pensei para mim "que saudades que tinha de te ter na minha casa!". Mantive a distância como me habituei a fazer naquele tempo. Mas tu procuraste-me sempre. Fomos ao café, sentaste-te ao meu lado e conversámos. Contigo foi sempre tão fácil falar. A conversa flui e não tenho de forçá-la. Fomos ver o concerto e perguntaste se não queria beber uma ginjinha contigo. Nunca antes tinhas querido estar perto dos meus amigos mas estiveste a noite toda com eles. Brincaste, riste, conversaste com eles. Até com a T., o que achei amoroso pois vocês nunca se suportaram. 
A meio da noite perguntaste se não podíamos ir um pouco para perto dos teus amigos, que também são meus. Hesitei, saí há pouco de uma relação com alguém de quem todos gostam e que todos conhecem mas fomos. Não me escondeste! Tu João, que nunca quiseste andar comigo perto de tantos outros, não me escondeste. Perguntaste a dada altura porque não me chegava mais perto de ti, parecia que estava a colocar uma distância de segurança.Tenho medo disto que sinto por ti. Tenho medo de arriscar com esta pessoa que não conheço e que não tem nada a ver com o João que me é familiar.
Levaste-me a casa no teu carro e à porta perguntaste se me podias beijar. Tinha tantas saudades do teu beijo. Do teu abraço. E tu começaste a falar... daquele tempo em que eu tinha tanto amor por ti e da dor que senti com a tua indiferença. Acabaste por me confessar que nunca gostaste de mim! Ao fim de tantos anos levar com esta chapada de luva branca não foi fácil. Só me apetecia chorar. 

Agora gostas de mim (dizes). Sentiste a minha indiferença durante o último ano, sentiste a minha falta, sentiste a minha ausência da tua vida. Ver-me com outra pessoa fez-te perceber que podias ter perdido tudo e isso fez-te sentir. Pela primeira vez na vida sentiste.

Portanto aqui estou eu, a saber que nunca gostaste de mim, que nunca sentiste nada quando te beijava. Perguntei como alguém podia fingir assim tão bem. E ele respondeu "eu não fingi. Tratei-te da forma certa para que percebesses que não queria nada sério contigo mas estavas cega!".

"E agora? Para quê voltar atrás?"

"Agora é diferente e eu quero mostrar-te isso! Estou diferente, quero assentar, quero ter um relacionamento sério, quero alguém que me queira!".

Mostra-me então que desta vez é diferente porque eu estou com os dois pés atrás e rede de segurança.
Tenho medo!


2 comentários:

  1. "Quero alguém que me queira"? Hum... Mantém os dois pés atrás... Este tipo de discurso é de quem não quer estar sozinho, só. Beijinho

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  2. Acho que no fundo sei isso... obrigo-me a escrever e depois obrigo-me a ler. Talvez interiorize!

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