Para ti.

Hoje escrevo para ti e não apenas sobre ti. Escrevo-te sem que saibas porque penso não seres merecedor das minhas palavras redigidas a amor. Nunca as soubeste valorizar ou corresponder portanto penso que não fará sentido continuares a saber tudo o que tenho cá dentro. 
Não consigo definir o exacto momento em que me apaixonei. Lembro-me da primeira vez que te vi, sem sombra de dúvida. Um rapaz sério, afável e tímido. Um rapaz charmoso e interessante. Faz este ano 8 anos que te conheci. 8 anos. 8 anos e o mundo virou-se-me do avesso. 
És o único homem do mundo que me deixa nervosa e tímida. O único! Que me faz rir com vontade e com quem consigo ser autêntica. 
Fiz desta história A história. A minha história de amor. Não a nossa (não a quiseste) mas uma história de amor de um só sentido. Até ao momento foste (és) o grande amor da minha vida. É um facto e nunca o conseguiria negar. Penso em ti tantas vezes, quero tanto que sejas feliz e realizado. Penso que o que sinto deixou há muito de ser um amor egoísta e passou a ser um amor altruísta. Amar deve ser isto, não é? Mas a questão é que contigo deixei de amar-me. Deixei de me colocar em primeiro lugar e permiti que este amor que sinto me magoasse. Amar não deveria doer. Amar deveria ser um estado de alma belo e feliz e não bolorento e frio. Hoje escrevo aqui porque fecho os olhos e recordo todos os nossos instantes felizes. Eles existiram, mesmo que por vezes pareça que só eu os mantive vivos. Recordo o teu braço partido, recordo as gargalhadas e os teus beijos. Recordo a primeira vez que estivemos juntos, 23 de maio de 2010. A primeira vez que nos beijámos, sem que nada o previsse. Os passeios no teu carro, com a mão a fugir das mudanças para o meu joelho. As tuas palavras doces. Sabes desarmar-me com o que dizes. Recordo os teus olhos pequeninos, as tuas rugas no canto dos olhos, o teu sorriso que teima em aparecer. Fecho os olhos e oiço a tua voz.
Queria despedir-me de vez mas já o tentei tantas vezes que seria hipócrita fazê-lo novamente. 
Passei um ano da minha vida iludida (e a iludir) num relacionamento que nunca poderia ter um final feliz quando nunca te esqueci. Quando era contigo que me via, quando o "nós" só faz sentido quando penso na Rita e no João. E lamento tanto ter seguido rumos tão estranhos, ter vivido uma vida que nunca vi como minha, uma vida adormecida e acomodada. Eu não sou assim e recusei-me a sê-lo (mesmo que tenha tardado a acordar).  Eu sei lá o que vai acontecer. Já tive tantas certezas de um futuro contigo e tantas certezas de um futuro sem ti. A única certeza que tenho é que este amor nunca foi e nunca será recíproco. Este amor que sinto, este que me castra, que me diminui, esta porcaria que não consigo matar de forma alguma, é meu e só meu. Nunca tive lugar na tua vida e o problema é que sempre soube disso. Nunca houve espaço para mim na tua existência de amigos, copos, trabalho, família. Nunca me enquadrei em nenhuma parte da tua vida. Estive sempre fora de contexto, fora do teu mundo, fora de ti. E assim fico, sei lá até quando, na esperança que este amor acabe por morrer por si, já que não consigo livrar-me dele. 


Comentários

  1. É tão mau quando amamos sozinhas.Este texto é teu mas senti cada palavra como se fossem minhas.Tal como tu vou continuar na esperança que o amor que sinto morra por si já que eu não consigo livrar me dele :(

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    1. Lamento que também mores neste desgosto :( continuo a achar que não matam mas magoam tanto! Beijinho grande

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    2. Infelizmente o desgosto também mora para estes lados,é certo que não mata mas as vezes parece que o faz mesmo.Ultrapassar um desgosto parece com um morrer e renascer,mas quando o fazemos nunca ficamos como éramos.

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