sexta-feira, 16 de março de 2012

Meu puto*

Sabes Luís, fez ontem 31 meses desde que nos deixaste. Já. Só. Parece que foi ontem. Parece que foi há uma eternidade.

Sabes Luís, quero acreditar que ainda me vês. Que ainda nos vês. Que me ouves. Que me confortas. Quero mesmo acreditar que estás em algum lado. Em qualquer um que seja. Mas que estás. Que ainda vives, de uma forma mais ou menos transcendente. Sabes meu puto, dou por mim a falar em alto e bom som. Dou por mim a ansiar uma resposta. Expectante por um qualquer sorriso teu. A tua gargalhada.

Ontem fizeram-te uma homenagem, Luís. Ontem vi-te. Ouvi-te. Sorri. Nos primeiros tempos custava-me imenso recordar-te. Porque doía (ainda dói). Porque tinha a perfeita noção que não mais existirias. Que não mais preencherias os espaços que agora estão vazios. Sabia que não mais quebrarias o silêncio que agora se instalou.

Já passaram 31 meses e parece que foi ontem. A dor é a mesma. A indignação é a mesma. Os porquês continuam cá. Dava tudo, acredita que dava. Queria tanto que estivesses aqui. Queria tanto ouvir a tua voz, que a custo vou conseguindo reter na minha memória. Fecho os olhos e consigo ver-te. Ainda te imagino a andar de mota. A jogar futsal. Ainda te vejo a beber imperial, enquanto estávamos sentados na esplanada, naquelas longínquas tardes de sexta-feira.

Sabes Luís, há coisas que nunca morrem. Há lembranças que nunca se apagam. A tua mãe mantém-te bem vivo. Vai partilhando fotos de outros tempos. Vai recordando situações das quais foste protagonista. Lembras-te Luís? Onde quer que fosses havia música. Havia alegria. Oh que saudades das tuas birras ["Oh Rita, convence a minha mãe a tirar-me o castigo. Ela a ti ouve-te!].

As saudades não matam. Mas vais pensando nisso a vida toda. Vais sentindo um peso tão grande no coração. Vais conseguindo viver acima da perda. Mas as saudades não passam. Acredita que não passam. É a recordar-te que me sinto bem. Já passaram quase 3 anos mas continua tudo tão presente. Há coisas que não queremos esquecer. Há outras que não podemos esquecer. Eu sei que nunca esquecerei quem foste. Quem és. E conto reencontrar-te um dia para te perguntar "Porque é que chegaste a partir?".

Sabes Luís... Gosto tanto de ti! Sinto tanto a tua falta! Nunca me esquecerei. Porque não consigo. Mas também porque não quero.

Grande beijinho, meu puto* 31 Meses *

2 comentários:

  1. Cada vez que penso nele também choro, acredita. Mas depois rio. Porque ele era isso mesmo, a gargalhada em pessoa.

    Para mim é esta a melhor forma de recordar, dando a conhecer a pessoa que ele foi (É!).

    Obrigada ;)

    Beijinho

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