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O mundo em que vivemos...

Muito se fala da morte do rapaz em Lloret del Mar. Mais uma morte estúpida. Evitável. Adiantam-se muitas teorias. Acidente, incidente ou suicídio. Os pais afirmam que ele não bebia e nem fumava. Que estava a estudar medicina. Que nunca cometeria suicídio.

Eu não conhecia o miúdo. Até acredito que não bebesse ou fumasse. Possivelmente até pode ter sido um estúpido acidente. Mas sei o que é Lloret. Beber até à exaustão. Uma semana inteira de excessos, sem regras. Acidentes acontecem. E quando uma pessoa está alcoolizada, a probabilidade de ultrapassar o limite do bom-senso é enorme. Não vou armar-me em moralista. Também bebo. Também já me embebedei. Não vou dizer que comigo isso nunca aconteceria. Mas provavelmente não. Não conduzo quando bebo, acredito que não me debruçaria numa janela. Mas nunca sabemos o que nos leva a fazer determinado disparate.

Quanto à possibilidade de poder ser homicídio. Os mesmos argumentos mas focados numa terceira pessoa. Um empurrão na brincadeira. Sem intenção. É uma possibilidade, embora remota. 

Quanto ao suicídio... aprendi que ninguém está livre de o cometer. A pessoa mais alegre, mais viva, mais feliz, pode mascarar a sua realidade. E nós podemos nunca dar por ela. Quando percebemos os inúmeros sinais que foram brotando ao longo dos dias, já é tarde demais.

Independentemente da origem da sua morte, mais uma vida se perdeu. Mais um miúdo de 17 anos. Mais uma família destroçada. Mais uma quantidade de amigos que ficam agora sem chão. Não passa. Muita gente diz que o tempo cura tudo. Não cura. A dor não passa. A saudade não passa. Pelo contrário. Vai ficando mais forte e tu tens de aprender a viver acima da perda.

Espero sinceramente que os pais consigam suportar. Não sou mãe. Não sei o que é perder um filho. Mas acredito que custe imenso. E são os que por cá ficam os que mais sofrem. Muita força!



Eu sei que ando a abordar a Morte demasiadas vezes. Mas tudo me leva a ti. Não quero habituar-me com ela. Mas está muitas vezes presente. Gosto tanto de ti!

É este o mundo em que vivemos. Uma dicotomia de conquistas e perdas.

Comentários

  1. Concordo plenamente contigo.. O tempo não cura tudo... Há tantas coisas que não passam. Ficam mais "leves" ás vezes, mas depois uma música, um livro, uma lembrança e vem tudo de reboleta encosta abaixo outra vez...*

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  2. É uma grande verdade. Às vezes a lembrança surge só porque sim. Porque uma parte de nós ficou lá atrás e não mais conseguimos que nos acompanhe.

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