terça-feira, 17 de abril de 2012

Achas que se pode morrer por amor?

Achas que se pode morrer por amor? Achas que quando passamos 3/4 da nossa vida com alguém, vivemos um pouco através da outra pessoa e ficamos unidos para sempre? Eu achava que não. Sempre achei um bocado tolo os exageros dados ao amor, ao romance, à dependência. Mas eu estava enganada. A D. Esperança e Sr. Patrício eram os vizinhos da minha avó e estavam casados há quase 60 anos. A minha avó contava-me a história deles e recordo-me perfeitamente daquele amor intemporal, sem cobranças. Eram amantes, companheiros, amigos. A D. Esperança era uma senhora muito meiguinha e lembro-me dela já velhinha (acho que nunca a conheci de outra forma). O Sr Patrício era mais fechado mas muito simpático e tinha aquela "cara de avô" super fofinho. Gostava mesmo de vê-los juntos. Dava gosto ver pessoas com os seus 80 anos a passear de mãos-dadas, a serem ternurentos e a projectar o seu amor em todas as direcções. Mas um dia a D. Esperança adoeceu. Tinha uma série de problemas e, entre esses muitos, diagnosticaram-lhe Alzheimer. Deixou de reconhecer a maioria em seu redor mas nunca esqueceu o marido. Era ele que lhe cantava canções, contava histórias, a acalmava. Oh, o Sr Patrício era um cavalheiro de outros tempos. Sentia-me mesmo uma felizarda por assistir a uma história tão bonita. Até ao dia em que a D. Esperança faleceu. O marido vestiu-a, penteou-a, beijou-a. Leu uma carta que lhe tinha escrito em tempo de namoro, há quase 60 anos atrás. Chorou, sofreu, definhou. O Sr Patrício acabou por falecer um mês depois.




Quero acreditar que ele morreu de tristeza. Quero acreditar que ainda há amores assim. Quero acreditar mas não consigo. Acho que tive a sorte de assistir a uma rara excepção. E tive a sorte de conhecer estes dois seres-humanos espectaculares. Porque acredito que temos muito a aprender com os mais velhos. Mesmo muito. É por isso que devoro as palavras dos meus avós, por muito pouco sábias que na altura me pareçam. Eles também estão casado há 57 anos e vivem um para o outro. Mas não é o mesmo. Aquela história é única.
Eu queria um Sr Patrício na minha vida. 

6 comentários:

  1. A minha avó faleceu quando eu era ainda muito pequena, ela e o meu avô foram casados durante anos e o Primeiro amor um do outro. Conta-se que o meu avô, juntamente com a minha mãe trataram de tudo. O cemitério era em frente a casa dos meus avós, foi lá que a minha avó foi enterrada e nós mudámo-nos para casa deles, para tomar conta do meu avô. A minha mãe sempre me contou que ele passava horas á varanda a olhar para o cemitério e que mandou colocar uma cruz alta, para a ver de casa... Parece que quando a minha avó morreu, o meu avô comprou logo um lugar para ele também ao lado dela... O meu avô faleceu 6 meses depois, ninguém soube muito bem de quê. Eu cá acho que foi de saudades, ou quem sabe, de amor... Um dia aparecerá um Sr.Patricio para ti, e um Avô Manel para mim :)

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    1. Os meus avós paternos também estiveram juntos mais de meio século mas a minha avó adoeceu tão cedo que acho que a doença se sobrepôs ao amor... deu lugar ao companheirismo, respeito e outras formas de querer alguém (que para mim são mais do que válidas!).

      Se eu encontrar um Homem que seja para mim metade do que o meu pai foi para a minha avó, sinto-me bem satisfeita!*

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  2. Por um lado não acredito. Mas por outro quero acreditar e acho que sim, que se pode mesmo morrer de amor.
    Oh, que porra, acredito sim!

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    1. Temos que ir acreditando nestes pequenos milagres ;)

      Eu também acredito que sim, desde que não seja de forma obsessiva e doentia!

      Obrigada pela visita ;)

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  3. É normal que sim. O desgosto, a perda do entusiasmo, o sofrimento... não matam mas derrotam.

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    1. E depois tudo junto, é uma mistura explosiva! Ora aqui está uma opinião mais "terra-a-terra" ;)

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