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Meu puto#3

Eras daquelas pessoas que nunca trazia dinheiro. Não que não tivesses, eras tão distraído. Chegavas e depressa davas conta que a carteira tinha ficado em casa. Tínhamos à-vontade suficiente para fazeres isso e funcionava nos dois sentidos. Sei que me compensarias depois, numa outra altura em que tivesse menos abonada. Por isso é que agora, sempre que me lembro da última noite em que estive contigo, me questiono porque raio é que não estranhei o teu comportamento. Andavas com imenso dinheiro na carteira, a pagar rodadas a toda a gente. Pagaste-me umas imperiais e fomos jogar matraquilhos. Tu na baliza, eu a avançada. Imbatíveis. Pagaste o primeiro jogo e estivemos horas a jogar por conta de outros (por cada golo, um beijinho no ombro). Quando nos cansámos, lembro-me de te perguntar porque andavas com tanto dinheiro. Disseste-me que te tinham pago (finalmente!) o trabalho de verão e que querias compensar os teus amigos. Soube, dias depois de teres desaparecido, que foste tu a pagar o jantar da tua família. O jantar anual, nas festas, que ficava sempre por conta do teu avô. Fizeste questão de pagar, insististe, conseguiste. Claro que ninguém estranhou. Só depois fomos juntando todos esses pequenos sinais. Andavas a despedir-te e de uma forma completamente invisível. 
Quando me despedi de ti nessa noite, foste insistindo para ficarmos mais um bocado. Mas já era tarde, já tínhamos bebido, queria ir dormir. Era o princípio da semana das festas, ainda tínhamos tantos dias para festejar, vadiar, brincar. Achava eu. Hoje, se voltasses a insistir, tinha ficado contigo até de manhã. Não te deixava um só momento. Se pudesse voltar atrás, amarrava-te, esbofeteava-te e brigava contigo. De uma forma ou de outra, impediria a tua partida. Hoje, apesar de egoísta, tinha-te ao meu lado e não sentiria este vazio que deixaste em mim.
Fazes-me falta! Tu és tu, meu puto*


"I really miss your voice, your smile, You".

Comentários

  1. Se pudéssemos ver o futuro com certeza que fazíamos as coisas de maneira certa,mas neste caso nada te levaria a pensar no que ia acontecer depois,provavelmente não havia nada que pudesses fazer para mudar o que aconteceu.Dever custar imenso estar nessa situação e nem imagino como seja.

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    1. Estás a ver aqueles sonhos em que queres acordar e pedes a Deus que te deixe acordar mas não consegues? Transpiras, sufocas, sentes-te impotente? É mais-ou-menos assim!

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    2. compreendo perfeitamente,quando nos sentimos impotentes é tão mau,poucas coisas devem ser piores do que a sensação de que não podemos fazer nada para mudar o que aconteceu.

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  2. não me leves a mal, mas não terá sido ele a ter uma atitude egoista em relação a toda a gente?! a ti?!

    atenção que eu não sei o que se passou! é só um comentário de quem está de fora!)

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    1. Não levo a mal, claro que não. A partir do momento que partilho aqui este género de coisas, demasiado íntimas (e tantas vezes me questiono se o devo ou não fazer), tenho de "sujeitar-me" a todos os comentários.

      Quanto ao que dizes, eu também tinha essa posição em relação ao suicídio. Pensava exactamente igual. Mas depois aconteceu o que aconteceu e mudei a forma de pensar. Porque quem o comete é que deixa de viver. Deixa de existir, perde a possibilidade de conquistar o seu mundo, de ser mãe/pai, de ter um emprego, de encontrar a sua cara-metade, de crescer, aprender. Acho que, no meio disto tudo, foi ele quem perdeu! Portanto não o considero egoísta, desistente ou cobarde (como antes pensava!) mas sim alguém que não teve força suficiente para lutar pelo que vale a pena!

      Obrigada e continua a comentar*

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  3. Todos nós mudaríamos determinadas coisas... Eu própria já te contei as minhas coisas, tinha mudado o mundo naquela semana para a ter podido ver mais vezes. Só me resta deixar-te um grande abraço "minha" Ritinha :)

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    1. Sim, todos gostaríamos de segundas oportunidades. É pena é que elas não existam para o que realmente importa! Beijinho I. e obrigada por tudo ;)

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  4. Meu deus, não tinha percebido que tinha cometido suicídio... quando li pensei que simplesmente tinham terminado a relação. Lamento muito. Muito mesmo. Infelizmente não podemos saber o que se passa na cabeça e no coração dos outros...

    ResponderEliminar
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    1. Olá S*. Quando falo no Luís, e todas as etiquetas pertencente a L*, são sobre um grande amigo meu que morreu. Nada tem que ver com relações e afins. Ninguém morre por um coração partido!

      Obrigada ;)

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