terça-feira, 3 de julho de 2012

Estranho é tu já não existires!

Ontem falaram-me de ti. Uma pessoa que pouco te conheceu mas que quis falar em ti. E a conclusão a que chegou é que tu eras estranho! Não acho normal fazerem-me este tipo de conversa! Estranho?! Em quê? Estranho é tu já não existires! Estranho é olhar seja para onde for e tentar encontrar-te, sem sucesso! Estranho são estas saudades de merda que me fazem ter vontade de espancar quem diz que és estranho. Foste. Este pretérito perfeito que tanto me custa conjugar. Tu foste um rapaz. Tu foste alguém. Tu foste meu amigo. Tu foste uma pessoa de quem eu gostava. Foste. És. 

Tu foste quem foste e ainda bem que foste tudo isso! Tu tinhas ideias alternativas. Ideias que nem todos tinham. Mas não eras, de todo, estranho! Eras alegre, divertido, amigo. Brincavas, rias, amuavas, estavas triste. Tu eras humano. Isso é estranho em quê? 
E depois perguntou-me como morreste. Queria pormenores. Pormenores que quero esquecer! Pormenores que poucos sabem. Não quero partilhá-los. Quero esquecê-los. Quero esquecer aquele dia (noite). Quero esquecer de que forma foi. Quero esquecer o velório, o caixão, o cemitério e a terra. Quero esquecer a angústia. Só não te quero esquecer a ti. De resto, nunca devia ter acontecido!



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