terça-feira, 7 de agosto de 2012

Meu puto#6

Faltam 8 dias para a porcaria do dia em que desapareceste. 8 dias para que a contagem aumente. Vai fazer 3 anos e parece tudo tão presente. E tu tão ausente. 36 meses. 
Quando a data se aproxima a passos largos, as minhas insónias ganham vida. E mantêm-me acordada porque sei que vou sonhar contigo e com aquela noite e simplesmente não quero. 
Estou farta de pesadelos, noites mal dormidas, indisposição. Eu sei que isto passa mas é como se aquela noite e aquela semana sejam revividas todos os anos. 
Às vezes apetece-me falar com a tua Mãe sobre ti. Ou com a tua irmã. Mas que direito tenho eu de estar a trazer novamente a tua partida para o presente? Se bem que nunca chegaste a partir.
Sempre quis acreditar que existe algo de transcendente. Acreditar que existe realmente um sítio para onde ir, no fim de tudo. Um sítio onde possamos encontrar-nos todos, um dia. 
Mas tu nunca perdurarias no mesmo sítio para toda a eternidade. 
E depois sinto falta da tua voz, que a custo vou relembrando. Sinto falta da tua parvoíce, espontaneidade e de te rires face ao perigo. Não tinhas medo de nada. Ou será que tinhas medo de tudo?

Fecho os olhos e recordo-te. Recordo aquela noite no café, depois de termos passado à final da Taça de futsal. O meu irmão emprestou-te o timbalão e tocaste(?) a noite toda. Era um barulho ensurdecedor. E foram mandar-te parar e tu sorriste. Aquele sorriso parvo, gozão e meigo. Depois vieste ter comigo à mesa e lembraste-te de fazer uma canção sobre mim e o meu ex. Sabias como irritar-me. Mandei-te parar e vieste agarrar-te ao meu pescoço e disseste que eu tinha de aprender a rir da vida. Eu aprendi.
E hoje tenho este riso intercalado com o choro. Rio-me da vida, rio-me das nossas conversas, rio-me das tuas parvoíces. Depois choro. Choro a tua saudade, choro a tua ausência, choro a tua morte.

36 meses.


6 comentários:

  1. já passou algum tempo mas ainda transmites tanta dor nas tuas palavras :S

    abraço apertadinho*

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    1. Já passou algum tempo e parece que foi ontem! São as saudades a falar alto*

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  2. "Às vezes apetece-me falar com a tua Mãe sobre ti. Ou com a tua irmã. Mas que direito tenho eu de estar a trazer novamente a tua partida para o presente?"

    Fala... tal como tu não esqueceste e tens isso sempre presente contigo, elas de certeza que também não. Ao falares não estarás a trazer para o presente porque isso é o presente, e o dia a dia delas. De certeza que até preferem que fales sobre ele e saberem que ele é lembrado e acarinhado.

    Espero que não leves a mal, é só uma opinião de quem está "do outro lado".

    Um abraço
    M.

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    1. Claro que não levo a mal, as opiniões são sempre bem recebidas.

      É o dia-a-dia delas mas sei que tentam esquecer. Não posso (nem quero) estar sempre a trazer aquele dia para o agora!

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