segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meu puto#8

Passaram 37 meses. E acredita que há dias em que me apetece apagar tudo o que já escrevi e fingir que não aconteceu nada. Mascarar-me de sorrisos e rir, como sempre fiz. Ligar à tua irmã e não falar mais de ti, ligar-lhe apenas para irmos beber uns copos ou agarrarmos no carro e irmos correr as festas das freguesias.

Há 37 meses atrás, eu tinha 22 anos mas não sabia nada da vida. Ou sabia pouco, não consigo lembrar-me. Sei que há 37 meses atrás era tudo diferente. Os risos eram sinceros, o ambiente era leve, os grupos uniam-se. Agora ninguém fala de ti e nem do que era a vida quando tu estavas presente.
No fundo, muitos seguiram em frente. Não te esquecem (será que alguém algum dia te esquecerá?) mas conseguem abstrair-se da tua ausência.
 Confesso que há dias em que também consigo fazê-lo. Penso no sofrimento da tua família e sinto-me egoísta demais por pensar que eu estou a sofrer. Pronto, sou mesmo uma egoísta.

Lembro-me de um dia que quero esquecer. Fecho os olhos e sou levada para uma sexta-feira distante, numa mesa distante, numa esplanada distante. Lembro-me de tudo o que quero esquecer. Esqueço-me de tudo o que quero recordar.

Sabes que a primeira vez que me lembro de falar contigo, ainda antes de começarmos a ser amigos, tinhas 12 anos e fui encontrar-te a olhar o rio. Calado, sozinho. Perguntei pela tua irmã e tu não sabias. Parecias-me tão distante. Insisti. Perguntei se estava tudo bem. Fizeste-me o teu sorriso (ainda não era metálico) e disseste "Tem de estar tudo bem, não é?". Tinhas 12 anos mas deste-me uma resposta que me pareceu demasiado profunda para a tua idade.

Sabes que é quando estou sozinha aqui no quarto que me lembro mais destas coisas? Recordo parvoíces tão tuas. Vejo fotos e vídeos. E depois lembro-me que tenho de ir Lá visitar-te. Devo-te tantas (demasiadas) visitas mas não quero ir sozinha.
Um dia falo-te na Carla. Ela também está lá, onde quer que tu estejas.

7 comentários:

  1. estas tuas "cartas" ao L deixam-me sempre com1 nó na garganta!

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    1. São a minha forma de falar do que sinto, já que não posso falar dele com quase ninguém!

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  2. ... Felizmente nunca perdi ninguém assim tão próximo. Nunca perdi um amigo, daqueles à séria. Por isso não posso avaliar minimamente aquilo que sentes. Deve ser uma dor sem fundo. Mais que a nossa própria família, os amigos são a família que escolhemos, aqueles que não queremos perder nunca. Venham as mulheres, as namoradas, os casos, os flirts, venha quem vier, tudo pode ser passageiro, menos os amigos... aqueles com A grande, que ficam para a vida.
    O tempo cura tudo. Mesmo. É um lugar comum, mas é bem verdade. Ainda bem que nos resta a memória, valha-nos isso. Força*

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    1. Eu já perdi dois... o Luís e a Carla mas desta última nunca consegui falar grande coisa! Já foi há muito tempo, era uma miúda, mas está sempre muito presente!

      Quanto ao meu amigo, a morte dele foi de uma forma tão imprevisível e numa altura tão improvável que acho que nunca vai passar.

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