De rastos!

Farias 82 anos. Em Setembro vou a Bucareste e já ninguém se entusiasma com essa novidade. As festas estão a chegar e não há ninguém a quem acompanhar para ir às Novenas ou ver a Procissão. Ninguém me pergunta se me sinto sozinha ou se já fiz muitos amigos. Ninguém olha para a minha cara e percebe que me sinto triste. Ninguém faz nada das coisas que tu fazias e das coisas que me dizias. 

No sábado tive de ir escolher a tua pedra, os textos que devo colocar e a fotografia. No sábado farias 82 anos e em vez de andar a escolher a tua prenda andei a escolher a tua lápide e a deixar-te flores. Tu que até nem gostavas de flores. 

Na sexta-feira tratei da trasladação do teu filho para que fique junto a ti.
Os teus desejos estão a ser todos cumpridos.
Qualquer dia também devo conseguir acalmar esta revolta. Espero eu!

Chego à tua casa e parece tudo tão irreal. Como se fosse um sonho mau. Um sonho que nunca quis que acontecesse e para o qual não estava preparada.

Avó, fazes-me muita falta. Recordo todos os nossos momentos mas as últimas visitas ao hospital deixam-me triste. Triste de me lembrar que a última vez que te vi não te quis acordar. Que só te fiz festinhas e que abriste os olhos mas pediste para te deixar descansar. Fecho os olhos e só me recordo da tua mão no meu peito a dizer "Rita, ai Rita. Estou tão cansada!".

Avó, estou tão cansada. Tratar destas coisas todas tem-me deixado de rastos.

AMO-TE PARA SEMPRE!

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