O Serviço Nacional de Saúde matou a minha Avó!!

Não sei bem se estou a escrever isto como um possível alerta para alguém ou se é apenas como um desabafo. Talvez o mal seja geral, talvez num outro hospital a minha Avó tivesse sido avaliada em condições e talvez ainda estivesse viva. Talvez. São apenas talvez.

A minha Avó foi internada o ano passado. Foi-lhe diagnosticado espasmos epiléticos, que levaram à receita de um medicamento que aliviasse esse espasmos. Soubemos este ano que deveria ter sido feita um rejuste da medicação pela médica de família (onde ela foi inúmeras vezes durante o ano). 

Este ano, em Maio, teve um novo surto epilético (supostamente) e ficou novamente internada. Uma vez no hospital, foi então feito o reajuste da medicação e disseram ainda que ela tinha ma infeção urinária, tendo começado a tomar antibiótico para o efeito. Teve alta.

Em casa, 2 dias depois sentiu-se novamente mal e foi novamente internada. Desta feita foi-nos dito que o excesso de medicamentação (fora esta dos espasmos e o antibiótico, a minha Avó era diabética e hipertensa, tomava ainda um medicamento para a arritmia, outro para a ansiedade, outro para o desbloqueio das artérias - já tinha tido 6 AVC) tinha levado ao mau funcionamento do rim esquerdo. Começou a ser então medicada para esse problema e a fazer a chamada dieta renal. Houve algumas melhoras mas nunca ao ponto da minha Avó poder ir para casa, como foi passado uma semana. Desorientada e sem grande reação, limitada para andar e comer sozinha (coisa que ainda fazia, apesar dos AVC que já tinham deixado cc«om alguma incapacidade).

Estavamos numa quinta-feira e estava em casa com a minha Avó. Não me reconheceu e só gritava. Tentei acalmá-la e tentar perceber o que se passava mas aquela não era a minha Avó. Não falava nada de coerente e contorcia-se de dores. Voltámos a chamar o INEM. Ficou novamente internada, desta feita porque os espasmos tinham voltado. Tinha os diabetes muito baixinhos e a tensão também. Mais uma semana internada. 

Sexta-feira seguinte teve novamente alta. Falava e reagia mas vinha muito debilitada e cansada. Sábado levámo-la para almoçar connosco à mesa e sentiu-se mal. Começou a espumar da boca e deixámos de sentir a pulsação. Metêmo-la em posição lateral de segurança e a minha Mãe conseguiu reanimá-la com dois murros no peito, até ao INEM chegar. Fomos novamente para as urgências. Possíveis diagnósticos: AVC, Enfarte, Paragem Cardíaca. Mais uma semana internada e nenhuma das hipóteses foi confirmada. Não sabiam o que ela tinha. Estava estável mas não conseguiam identificar o que se tinha passado, talvez uma crise de ansiedade (????).

Novamente para casa. Mais um dia em casa e novamente se sentiu mal. Hipoglicemia e tensão muito baixinha. Novamente para o hospital. A médica das urgências chamou uma série de colegas e estavam todos muito surpreendidos por a minha Avó ter tido alta, com todos os antecedentes que viam no relatório dela. Daí foi para os Cuidados Intermédios. Estive com ela nesse Domingo durante 10 minutos (o tempo que permitem a visita) e ela dizia que estava muito cansada e que queria ir para casa. Mas estava lúcida, falámos dos meus anos (fazia anos essa quarta-feira). 
Na segunda-feira passou para o internamento, a minha Mãe foi vê-la todos os dias com o meu irmão. Estava mais ou menos orientada e bem.

Entretanto fui vê-la. Estava a dormir descansada e lembrei-me de pensar "vou deixá-la dormir e fico apenas a vê-la. Pelo menos estou aqui com ela e vejo que está bem!". Vim embora com apenas uma festinha dela no meu peito a dizer "estou tão cansada!". E voltou a dormir. Fiz-lhe festinhas no cabelo e deixei-a dormir. 

No Domingo decidi não ir para a terra onde trabalho e pensei em ir vê-la na segunda-feira de manhã. Nunca falhei uma visita de Domingo, geralmente era eu apenas a ir vê-la nesse dia mas troquei com a minha Mãe.

A minha Mãe quando chegou a casa disse que ela estava a ser aspirada!! Que a enfermeira tinha dito (porque os médicos só falam com os familiares a um dado dia combinado) que ela não estava a conseguir digerir o que comia (o que a obrigavam a engolir por seringa!), acumulando alimento em excesso e foi por ela que fomos sabendo de algumas coisas. A minha Avó sentia-se agoniada  e cheia (disse sempre isto desde o primeiro internamento) e cheia e a médica disse sempre que era fita dela. Que se não comesse tinha de se colocar uma sonda para ela comer. 

A minha Avó morreu na manhã de segunda-feira, às 6.20h da manhã. Causa da morte: NATURAL! 
Para mim deixaram a minha Avó morrer e agora nem me querem dar o relatório dos internamentos!

Ninguém sabia o que ela tinha mas enviaram-na para casa! Fomos com ela para as urgências umas dez vezes no espaço de 2 meses!
Entretanto uma pessoa amiga família chamou-nos a atenção para:

"É o que acontece no caso da gastroparesia, um nome complicado para explicar que o estômago demora demais para se esvaziar, isto é, para liberar o alimento digerido para o intestino. Quem controla este esvaziamento é o nervo vago, e se ele está com problemas causados pelo excesso de açúcar no sangue, certamente o estômago será prejudicado.
Quando o estômago retém o alimento digerido por muito tempo, vários sintomas bastante desagradáveis são sentidos pela pessoa. Entre eles estão:
Náusea e vômitos
Inchaço abdominal, mesmo após comer só um pouquinho
Azia
Espasmos na região do estômago
Falta de apetite
Perda de peso
Refluxo gastroesofágico"
A minha Avó tinha todos estes sintomas. Todos!! 
E eu acho que deixaram a minha Avó morrer.
Se soubesse hoje  desfecho de tudo isto, tinha procurado outros médicos, outros locais. Talvez ainda a tivesse comigo!!

É apenas um alerta. E entendam que só falei em traços gerais de todo o sofrimento por que ela passou. Ela disse sempre que não ia sobreviver a esta e tinha razão.
Só queria ter percebido que isto estava a acontecer!!!

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